3 de mai de 2009

República Mulher

Resenha: República mulher – Entre Maria e Marianne

Desde a Revolução a figura da mulher é usada na França. Antes, o período monárquico era representado pela figura do Rei, personagem masculino, mas com a conquista da Revolução esta figura tinha que ser substituída de forma radical, com novos símbolos representando novas idéias, nada que lembrasse a monarquia, daí a adoção do feminino.
Em Roma a figura da mulher era usada como símbolo de liberdade, assim os revolucionários franceses se utilizam essa imagem fazendo algumas mudanças como o uso do barrete que trazia a simbologia de radicalidade e seios desnudos, visivelmente uma mulher do povo que lutou pela revolução.
Depois da terceira República aparece Marianne (nome popular na França) que seria personificação da República, e como reação o governo incentiva o culto a Virgem Maria o que desencadeou uma batalha de cultos que ficou conhecida como Mariolatria x Marianolatria, chegando ao ponto de haver uma oração para Marianne substituindo a oração de Virgem Maria.
Com o avanço do capitalismo e conforme os ideários eram substituídos por metas de trabalho, a figura de Marianne não fazia mais sentido dentro daquele contexto e acabou substituída pela figura do operário de dorso nu.
No Brasil a futura regente era mulher, no caso Princesa Isabel, mas sua figura foi enfraquecida por seu marido Conde D’eu que por ser francês teve sua figura vinculada a monarquia, mas a República seguia seu modelo clássico até que o governo pediu para que ela fosse representada sentada transmitindo força, segurança e calma. Sua simbologia foi irrelevante, pois, o povo não tinha acesso às artes e esta em especial era direcionada para uso doméstico.
Até 1922, os artistas eram patrocinados pelo governo, estudavam na Europa e pintavam quadros de lá, ou seja, estavam completamente influenciados pelo padrão europeu, daí o motivo de todas as obras de artistas brasileiros não retratarem a mulher nativa e sim figuras aparentemente brasileiras, mas com rostos e requinte europeu.
Comte era um desses artistas que teve muita relevância na história da arte brasileira. Para ele somente o altruísmo poderia fornecer as bases para uma convivência social e a mulher era o que melhor representava uma sociedade sem Deus.
Símbolo perfeito seria a virgem-mãe que sugere a humanidade capaz de se reproduzir.
O que acontece é um contraste entre a República dos sonhos e a real, assim a imagem cívica da mulher vai perdendo seu contexto e passa a ser ridicularizada junto com a república; a mulher se transforma em mulher da vida, prostituta. Essa imagem foi predominante entre as caricaturas.
A mulher nunca fez parte da política, nem na França entre os jacobinos que achavam que a política era para homens.
Aqui no Brasil Comte cimentou o papel da mulher atribuindo-lhe ser esposa, mãe, guardiã do lar garantia de reprodução da espécie e saúde moral da humanidade.
Os bispos se empenharam em incentivar o culto a Maria e em 1904 Nossa Senhora Aparecida foi coroada rainha do Brasil.
A representação feminina da República estava cada vez mais longe, pois a República não desenvolveu da forma desejada e não havia figura feminina cívica que obtivesse sucesso.
Morre nossa Marianne e surge a padroeira do Brasil..

Um comentário:

nayaraC disse...

hummm...
bem vinda a familia bolgspot mulé!!!
hehehehe
começando com o pé direito!