17 de mai de 2009

A Índia que a Globo não mostra.

É até engraçado andarmos pelas ruas, ouvirmos muitos de nossos amigos e até em nossos trabalhos aquela frasezinha verdadeiramente irritante HARE BABA ( não sei se a escrita está correta mas...). Os meios de comunicação claramente à serviço do capitalismo e vantagens internacionais que este tipo de programa pode trazer, fazem pesados investimentos de olho no retorno. A Globo como órgão de comunicação internacional estimula, provavelmente com apoio do Governo Nacional e Internacional, pois, o turismo aumenta consideravelmente o comércio local, no caso indiano, aumenta a venda de passagens aéreas de turistas ávidos por uma viagem exótica, a Globo aumenta sua venda de TV por assinatura , aumenta a procura de empresas querendo colocar seu comercial no horário nobre e enfim cresce também o comércio de produtos "indianos" no Brasil. Mas a realidade é bem diferente, pois, é fato que a economia indiana está em pleno desenvolvimento, crescendo a taxas de quase 10 % ao ano ( se compararmos, o Brasil cresce 3 a 4% ao ano) esse crescimento é para poucos pois a grande maioria da população vive na mais extrema pobreza e falta de higiene. Um país sem infra-estrutura atrelado a religiosidade, onde um rio sujo, fétido, cheio de cadáveres, pois na Índia indigentes são jogados inteiros e quem tem família os restos cremados, é sagrado. Eles acreditam que o Rio Ganges é um Deus que purifica o corpo pela deteriorização e por ser um Deus pode ser usado para tudo inclusive banhar-se e no preparo dos alimentos, então ao mesmo tempo que um cadáver bóia no rio tendo suas vísceras comidas por corvos, a alguns metros dali pessoas se banham alegremente celebrando a vida. Sem contar as vacas, animaizinhos simpáticos, mas que defecam por toda parte, mesmo nas casas, pois também são sagradas tem livre acesso pelas ruas.
A ONU envia recursos constantemente ( segundo fontes de revistas) para realização de obras de saneamento básico, como construção de redes de esgoto que desviassem a sujeira que é jogada no rio, porém autoridades locais valendo-se da religiosidade do seu povo, insistem na ideia de que o Ganges é um deus e como sendo é intocável. Sendo assim é só entrar um minutinho no You Tube para nos depararmos com crianças com mal formação congénita hidrocefálicas ou gêmeas siamesas mal formadas com 4 braços e 4 pernas que na índia são consideradas deusas ( no caso a deusa Lakshmi). A falta de informação e o politeísmo indiano condenam a população a uma vida miserável ao mesmo tempo em que o país é um dos que possui o maior número de milionários, então aquelas roupinhas limpinhas, brilhantes, cheias de cores que vimos na novela é pura ilusão, ficção voltada a aumentar o consumo de vestuários para que qualquer mulher se pareça com a Juliana Paes ( beleza eleita pela Rede Globo ). Quanto mais eu vivo mais eu consigo colocar em prática preceitos aprendidos em sala de aula como o que o capitalismo se adapta, se volta e cria necessidades para sua manutenção.
HARE BABA !

5 de mai de 2009

Progressão continuada - Parte III

...não importa se não sabem escrever, o que importa é que a mão de obra está garantida. A diferença entre o mundo moderno e o século XIX é que hoje a mão de obra é "especializada" tem que ser graduado. Para os verdadeiros intelectuais, aqueles que gostam de estudar mesmo e pesquisar as raízes das coisas não sobra quase nada. Pra sobreviver tem que dar aulas e agradecer quando aparecem pesquisas para serem desenvolvidas. Veja, a coisa começa lá atrás e todos tem interesse nisso. O que me assusta são os vários médicos que tomam anfetamina pra se manterem "ligados" no exercício da função ou de algum Sérgio Naya que contrói edifícios com areia de praia ou de professores tipo " nomes renomados" que futuramente darão aulas aos meus filhos e que podem agredi-los com palavras ou atos físicos, simplesmente por que esses pseudo-professores deixaram de frequentar as aulas de Prática e Pesquisa Pedagógica, que nos primeiros semestres é direcionado a teorias pedagógicas e formas alternativas de ministrar uma aula...tudo bem, você deve estar pensando que uma aula dessas é absolutamente desnecessária mas ninguém chegou na faculdade sabendo ser professor . Bem vinda ao mundo acadêmico.

Progressão continuada - Parte II

Daí eu pergunto: que vestibular é esse com perguntas tão fáceis? Que tipo de preparação é necessária para se ingressar numa faculdade? Quer a resposta? Dinheiro. Com dinheiro se faz tudo, o capitalismo manda completamente mesmo sem a gente querer. O comércio e as indústrias precisam tanto da mão de obra quanto do mercado consumidor e o "profissional" trabalhando e consumindo é estritamente necessário para esse círculo vicioso funcionar. Saem das escolas semi-analfabetos basicamente mal escrevendo o próprio nome, prestam aquele vestibular ridículo, ingressam numa Universidade, não assistem aulas ( já vem com esse hábito de não estudar), seguem sua sina de desgastar professores com conversinhas paralelas, comentários sem sentido e fora de hora se achando a pessoa mais engraçada da faculdade, simplesmente O CARA. Hoje o mestrado o tomou lugar da faculdade, e quem realmente quer se especializar faz mestrado. Na verdade a progressão atende todas as necessidades por que o Governo diminui o índice de analfabetismo, melhora a imagem no exterior, os "profissionais" saem graduados prontos para atender as necessidades do mercado que exige pelo menos o ensino fundamental completo ou pelo em curso...

Progressão continuada - Parte I

Progressão continuada nada mais é do que uma fábrica onde a produção é de ignorantes semi analfabetos que logo estarão no mercado de trabalho. A coisa é complicada e o círculo vicioso, pois, se pensarmos no Estado de São Paulo, onde a progressão é pioneira talvez a única no Brasil, e onde há a maior necessidade de mão de obra, ocorre uma enxurrada de "profissionais" com essa formação. Como professora agora posso afirmar que a situação interna, aquela que o governo finge que não sabe,é simplesmente periclitante. Os alunos não tem o mínimo respeito pelo professor e este, talvez desanimado ou por incompatibilidade da função não reage, assiste a tudo mudo, inerte, sem reação e quando esta aparece, vem com violência, brutalidade, uma agressão desnecessária da qual o aluno também não tem obrigação de aguentar. Então nas escolas públicas fica desta forma: os alunos fingem que aprendem, os professores fingem que ensinam e esses mesmos alunos vão prestar um vestibular ridículo por que na realidade o que as instituições querem é dinheiro pra se manterem e cumprir a folha de pagamentos dos muitos funcionários e professores. Me dando como exemplo, fiquei sem estudar por mais de 10 anos e mesmo sem pegar num livro sequer passei em 10° lugar.

3 de mai de 2009

República Mulher

Resenha: República mulher – Entre Maria e Marianne

Desde a Revolução a figura da mulher é usada na França. Antes, o período monárquico era representado pela figura do Rei, personagem masculino, mas com a conquista da Revolução esta figura tinha que ser substituída de forma radical, com novos símbolos representando novas idéias, nada que lembrasse a monarquia, daí a adoção do feminino.
Em Roma a figura da mulher era usada como símbolo de liberdade, assim os revolucionários franceses se utilizam essa imagem fazendo algumas mudanças como o uso do barrete que trazia a simbologia de radicalidade e seios desnudos, visivelmente uma mulher do povo que lutou pela revolução.
Depois da terceira República aparece Marianne (nome popular na França) que seria personificação da República, e como reação o governo incentiva o culto a Virgem Maria o que desencadeou uma batalha de cultos que ficou conhecida como Mariolatria x Marianolatria, chegando ao ponto de haver uma oração para Marianne substituindo a oração de Virgem Maria.
Com o avanço do capitalismo e conforme os ideários eram substituídos por metas de trabalho, a figura de Marianne não fazia mais sentido dentro daquele contexto e acabou substituída pela figura do operário de dorso nu.
No Brasil a futura regente era mulher, no caso Princesa Isabel, mas sua figura foi enfraquecida por seu marido Conde D’eu que por ser francês teve sua figura vinculada a monarquia, mas a República seguia seu modelo clássico até que o governo pediu para que ela fosse representada sentada transmitindo força, segurança e calma. Sua simbologia foi irrelevante, pois, o povo não tinha acesso às artes e esta em especial era direcionada para uso doméstico.
Até 1922, os artistas eram patrocinados pelo governo, estudavam na Europa e pintavam quadros de lá, ou seja, estavam completamente influenciados pelo padrão europeu, daí o motivo de todas as obras de artistas brasileiros não retratarem a mulher nativa e sim figuras aparentemente brasileiras, mas com rostos e requinte europeu.
Comte era um desses artistas que teve muita relevância na história da arte brasileira. Para ele somente o altruísmo poderia fornecer as bases para uma convivência social e a mulher era o que melhor representava uma sociedade sem Deus.
Símbolo perfeito seria a virgem-mãe que sugere a humanidade capaz de se reproduzir.
O que acontece é um contraste entre a República dos sonhos e a real, assim a imagem cívica da mulher vai perdendo seu contexto e passa a ser ridicularizada junto com a república; a mulher se transforma em mulher da vida, prostituta. Essa imagem foi predominante entre as caricaturas.
A mulher nunca fez parte da política, nem na França entre os jacobinos que achavam que a política era para homens.
Aqui no Brasil Comte cimentou o papel da mulher atribuindo-lhe ser esposa, mãe, guardiã do lar garantia de reprodução da espécie e saúde moral da humanidade.
Os bispos se empenharam em incentivar o culto a Maria e em 1904 Nossa Senhora Aparecida foi coroada rainha do Brasil.
A representação feminina da República estava cada vez mais longe, pois a República não desenvolveu da forma desejada e não havia figura feminina cívica que obtivesse sucesso.
Morre nossa Marianne e surge a padroeira do Brasil..

Farejando verdades.

Agora serão públicos os meus pensamentos e reflexões.