24 de ago de 2011

Homenagem merecida - Sandra Jatahy Pesavento

Algumas pessoas tem o poder de nos tocar e marcar  nossas vidas de maneira tão definitiva, que é possível renascer em nós, outra pessoa. Por vários métodos a ideologia de cada um pode se manifestarcontaminar e contagiar muitos que nos são contemporâneos. 
Quando decidi fazer pós graduação, tendo a cultura como foco principal de pesquisa, a primeira obra que li a respeito foi História & História Cultural  - Dra. Sandra Jatahy Pesavento, da qual posso garantir ter mudado toda minha visão pseudo - marxista, não que eu fosse ortodoxa, nunca fui, mas porque nunca tinha pensado as coisas daquela forma meio complexa, meio simples, que o conceito cultural trás. Parece que tudo ficou mais fácil de compreender, o outro já não é tão misterioso. Li esta obra durante a elaboração do meu artigo para conclusão de curso, sobre a influência do jornal A Comarca de Penápolis sobre a comunidade daquela região, no interior de São Paulo. De fundamental importância, o livro me ajudou a compreender a construção da memória coletiva, e como esta construção trabalha em benefício das instituições, implantando por meio de símbolos, regras normativas. Como um bandeirante, Sandra me abriu os olhos pra um lado da floresta que eu não sabia que existia, e que de tanta paixão pelo tema, me especializo. Ela mudou a minha ideologia. Como disse no início do post, há pessoas que tem esse poder.
Confesso minha falta de informação, mas somente há pouco tempo soube que minha fada madrinha das ideias havia falecido. É com muita tristeza que coloco este post, sendo esta a minha maneira de homenagear uma pesquisadora de tanto respeito e talento, que teve a vida ceifada por uma morte tão prematura. Dois meses antes de sua morte, fiz uma postagem aqui no blog falando sobre seu estado de saúde, tinha certeza que não seria nada grave. Me enganei.



"Prezados Colegas,

É com profunda consternação que cumpro o doloroso dever de comunicar o
falecimento da Coordenadora do GT Nacional de História Cultural, Sandra
Jatahy Pesavento, ocorrido hoje, 29/03/2009, em Porto Alegre. O sepultamento
ocorrerá às 19:00h.

Neste momento de profunda dor e sofrimento, devemos recordar não apenas a
grande historiadora, professora, pesquisadora que Sandra foi. O legado de
seu trabalho permanecerá entre nós e alcançará futuros historiadores pela
força de suas idéias e de sua ousadia intelectual.

Entretanto, Sandra Jatahy Pesavento foi muito mais! Estamos imensamente
desolados e por isso mesmo não posso deixar de registrar publicamente a
grande amiga, companheira, parceria de trabalho e sempre aberta a acolher a
todos que dela se aproximassem.

Escrevo isso em meu nome e em nome de meus parceiros da Comissão Científica
do GT Nacional de História Cultural - Alcides Freire Ramos, Antonio
Herculano Lopes, Maria Izilda Santos Matos, Mônica Pimenta Velloso, Nádia
Weber, Maria Luiza Martinin - dentre tantos que, sem dúvida, se associarão a
nós nessas palavras.

De minha parte, perdi uma grande amiga e uma inspiração de dignidade,
respeito e ética.

Rosangela Patriota Ramos
GT Nacional de História Cultural"



                             Sandra Jatahy Pesavento - (Porto Alegre, 1945 - 2009)


9 de ago de 2011

Caldinho de feijão


Olha o Sérgio Buarque de Hollanda "falando" novamente. É possível identificar aspectos de sua teoria a respeito da "culturas amalgamadas", quando, em sua obra Raízes do Brasil, afirma: A experiência e a tradição ensinam que toda cultura só absorve, assimila e elabora em geral os traços de outra cultura, quando esses encontram uma possibilidade de ajuste aos seus quadros de vida". Digo isso analisando a história do feijão quando postava uma receita no outro blog, de culinária, que tenho - http://aninhanacozinha.blogspot.com . Daí você pensa: Nossa, tudo ela põe história no meio? Eu te respondo: sim. Sabe aquela música do Osvaldo Montenegro - O Chato - ...eu sou um chato, meu Deus não me aguento, só me tacando no mar...Mas voltando ao que interessa, o feijão, base primeira da minha receita, como não querer saber sua trajetória? 
Arqueólogos dizem haver vestígios do consumo do feijão na América do Sul a cerca de 10 mil anos, há indícios também do feijão ter sido consumido na Grécia, muitas são as especulações. Os índios latinos comiam feijão com farinha de mandioca. Os portugueses começaram a consumir adicionando elementos conhecidos de sua cultura, como linguiça, pé e orelha de porco. Essa junção origina a feijoada, comida de escravos nas senzalas. Percebe como Sérgio Buarque acerta ao afirmar que uma cultura só sobrevive quando pode ser amalgamada a outra cultura. Os índios foram sufocados, nunca compreenderam a lógica do capital. O português deu seu jeitinho adicionando ingredientes e o africano incorporou a sua cultura. 

Em homenagem a todos os chatos que adoramos, Osvaldo Montenegro - O Chato



4 de ago de 2011

Nova Ordem Mundial. Será?


Até onde a crise americana pode afetar o mundo globalizado? É fato que os EUA está perdendo o poder de fogo, já não é mais a maior potência mundial, não é mais respeitado como a "polícia do mundo", deixou de "dar as cartas". Obama tenta desesperadamente se manter no poder e tirar a imagem, que muitos ainda mantém, de governo incompetente. Bush foi o grande contribuidor pela queda do império econômico americano, suas guerras de vingancinha não levaram a nenhum benefício, pelo contrário, foi muito dinheiro metendo o nariz onde não foi chamado (aproximadamente 5 trilhões de dólares) . Seu pais desmoronando e ele querendo levar democracia em todos os cantos do mundo (Democracia - Direito Universal - sendo universal todos têm direito, mesmo que não queiram essa "democracia" ocidental, é direito, vai na marra). Lógico, de acordo com seus interesses.

Mas parando para raciocinar um pouco, Roberto Da Mata exemplifica algumas formas de jeitinho brasileiro*. Alguns usam o "sabe com quem está falando" como forma de sobrepor-se ao outro numa tentativa de, alguma forma, levar algum tipo de vantagem. Esta é uma forma extremamente agressiva, só podendo ser feita por alguém com poder de influência ou dinheiro.
Outra forma é o tipo simpático, que se dá bem com todos pra não ter problemas. Que busca algum fato incomum pra criar vínculos, como: "olha, somos da mesma cidade" ou "também torço pra este time".
Será que o jeitinho é só brasileiro? Lembram - "Temos que combater o terrorismo com terror" - não parece um anúncio ao mundo pra ter medo de terrorismo, que acontece em qualquer lugar, em qualquer hora. Influencia os outros, ou não?
E outro exemplo chamando toda a Nação a se unir em busca de um bem comum - Yes, we can. Ou quando disseram assim para o Presidente mais pop do Brasil: Você é o cara. Simpático, não?

Bush deixou a economia de lado pra se concentrar em guerras. A base da economia americana é de consumo interno, as pessoas compram pra ajudar a empresa americana, que se fortalece e enriquece o pais. Diante de uma crise econômica, com demissões em massa e a divida do pais com empresas estrangeiras crescendo, como fortalecer o consumo interno? Por outro lado corre a China que cresce, mas têm muito dinheiro investido em papéis do tesouro americano. Os produtos chineses são de baixa qualidade, feitos com mão de obra barata, com uma classe trabalhadora oprimida e desarticulada.
Será que logo teremos outra "Nova Ordem Mundial"?

* O que faz o Brasil, Brasil - Roberto Da Mata. ed. Rocco.2001