9 de mai de 2010

Mãe é tudo de bom.

Um belo dia descobri que estava grávida. Acho que o meu principal sentimento foi o medo (muito medo) de não dar conta de criar um filho, medo de não ser mais amada, medo de como vai ficar o corpo depois desta grande aventura e a certeza de que o vínculo é eterno. Durante as primeiras horas fiquei muito confusa,   não sabia o que faria nem que futuro esperar, mas no final do dia a ideia de um filho já estava inserida em mim e as "passadas de mão" na barriga (características de toda grávida), mesmo sem aparecer barriguinha já faziam parte dos meus gestos diários.
O caminho é longo (9 meses), o peso do corpo aumenta, a gente fica naturalmente mais lenta, anda devagar, jogando o corpo de um lado para o outro durante a caminhada e no finalzinho da gravidez a gente quase não anda mais, o corpo não aguenta o peso, engordamos uma média de 12 a 16 quilos (foi o que engordei nas duas gestações).
Todos cuidam um pouquinho de nós, todos tentam fazer com que nos sintamos bem, pois os incômodos são muitos, falta de ar, bexiga cheia, uma vontade de fazer xixi o tempo todo e com o corpão pesado chegar no banheiro rápido se torna uma verdadeira saga. Até que chega o grande momento. Maternidade.
Tudo já estava pronto, malas, carro, roupa reservada pra sair correndo se precisar, fraldas, roupinhas de bebê, chinelos, ufa...tudo tem que estar pronto para o grande momento.
A enfermeira me preparou depilando onde precisava (lá mesmo), colocando soro, me vestindo com aquele avental azul (confesso que nesta parte eu fiquei muito tensa, fiquei com medo) e me levou para a sala de cirurgia (o medo aumentava). Tomei a raque, aquela "injeçãozinha" dada na medula espinhal pra gente não sentir dores na hora do nascer (no meu caso fiz duas cesarianas sendo que na segunda, a diaba da raque não "pegava" e o anestesista tentava de novo. Foram umas cinco picadas até "pegar". E dói hem). Deitei na mesa de cirurgia e fiquei observando os movimentos dos médicos, eles vão pra lá, vão pra cá, conversam, dão risadas, contam piadas, comentam do churrasco que fizeram e eu lá, tensa, muito tensa observando as reações e fisionomias dos médicos pra saber se estava tudo bem comigo e com o bebezinho que estava a caminho. O grande momento chega. Mesmo anestesiadas e sem nenhuma sensibilidade na parte inferior do corpo percebia tudo que estava sendo feito,. Sentia a médica puxando e ajeitando o neném pra tirá-lo da minha barriga. Neste momento eu estava meio grogue, ria bastante (imagina eu rindo e a médica tentando me operar) mas ria de nervoso, até que a médica me disse: - Seu bebê tem bastante cabelo, estou vendo. Depois de puxar mais um pouquinho ela saiu, linda, de olhinhos abertos, magrinha e muito cabeluda. Naquele momento eu olhei pra ela e ela olhou pra mim. Que lembrança linda tenho desta hora. Ela tinha uma fitinha rosa no cabelo que as enfermeiras colocaram. Foi amor a primeira vista. Me apaixonei de forma definitiva sentindo a posse de filho que todas as mães tem; é MEU. Minha Maria Julia, cabelos claros cacheados, olhos verdes, linda.
Seis anos depois ganhei meu outro filho e neste período fazia graduação. Frequentei a faculdade até uma semana antes do Gustavo nascer. Não foi fácil. Ia com o ônibus dos estudantes do município. Confesso que eu ria de casa até a facul. Os estudantes eram muito divertidos e cuidavam demais de mim. Como estava muito gorda, saia da sala faltando uns quinze minutos pra acabar a aula, senão não dava tempo de chegar até o ponto, se bem que sempre me esperavam. O motorista (Polaco) tinha muita paciência de me esperar chegar.
Ganhei o Gu no dia 29 de novembro de 2007. Ele parece um indiozinho, moreno como eu, olhos castanhos rasgadinho e cabelinho liso bem escuro (na maternidade quando ele nasceu era bem branquinho de cabelos espetados pra cima e olhos rasgados, pensavam que o pai era oriental...rsrrs). Nasceu de olhos fechados e gosta muito de dormir até os dias atuais.
Penso que na vida temos que experimentar todas as sensações que nos são destinadas, se não for assim a gente não teve experiências, sai repetindo o que ouviu dos outros, se baseia na experiência alheia.
A vida é cíclica e o ciclo se acaba. Se podemos falar em continuar vivendo como os espíritas pregam, uma pessoa que não acredite em reencarnação pode continuar vivendo em seus filhos que trazem a carga genética e características de seus pais. Não sei se acredito em reencarnação (depois que eu morrer poderei concluir), mas tenho certeza que continuarei viva por meio de meus filhotes.

Desejo a todas as mães um dia maravilhoso cheio de realizações e muitas demonstrações de amor de seus filhos. Para as futuras mães eu digo não tenha medo. A maternidade é linda e apesar da dedicação eterna que daremos a eles, tenham a certeza de que VALE A PENA.

FELIZ DIA DAS MÃES 


MEUS FILHOS