1 de ago. de 2010

A Arte Grita


Tenho estado um pouco sumida do blog e outros lugares da internet por pura falta de tempo. Tenho andado bastante ocupada, mas nem por isso deixo de ler meus livros. O meu livro de cabeceira, ultimamente, têm sido "A arte não arte" de Tadeu Chiarelli sobre o artista plástico Nelson Leirner.

Sou uma pessoa muito xereta, escrevo no blog dos outros, dou palpites no pensamento alheio por meio de comentários, escrevo pra pessoas que não conheço, enfim, uma verdadeira entrona. Mas as vezes dá certo, tanto que foi por meio de um e-mail que consegui com que o Dr. Roberto Bíscaro - AlbinoIncoerent - que defende as causas albinas (http://www.albinoincoerente.com/) fosse entrevistado no Programa do Jô, onde  pôde, para o mundo todo, expor suas reivindicações. Tanto dá certo ser enxerido que buscando informações sobre Nelson Leirner achei um site muito bom, com espaço para comentários e contato. Sabe quem me respondeu, o próprio. Daí, papo vai papo vem, ele me enviou este livro, que me referi no início da postagem. Presente do próprio artista, com dedicatória. Fiquei realmente emocionada. Mas voltando ao assunto e "devorando" o presente, percebi que como recém formada em História, eu não sei nada de História. São tantos caminhos diferentes, tantas ideias que se complementam e se entrecruzam e se contradizem que duas encarnações será pouco, com agravante que na segunda encarnação a História já triplicou, então nunca vou saber o que pra mim seria suficiente. Ainda bem, pois, o comodismo limita o desenvolvimento. 

A arte, que venho estudando já a alguns meses, dentro das mudanças culturais e de pensamentos, é a primeira que grita. Ela explode em forma de expressões que traduzem um momento de mudanças. O dadaísmo surge num momento assim, onde todos envolvidos na Primeira Guerra Mundial, buscavam explicações racionais que traduzissem o motivo de tanta carnificina. Onde fica a poesia ? Onde fica aquela pintura que tinha, entre outras funções ser filosófica, religiosa, moral. Nada fazia sentido.
Tristan Tzara, chefe do movimento Dadá que reunia poetas, pintores, escultores, filósofos, vendo desabar sistematicamente os pilares da vida da poesia e das artes, afirmava que a única saída possível seria a destruição da lógica, da moral, da literatura.
Surge verdadeiros patriarcas das artes como DuChamp, Salvador Dali, Man Ray, André Breton, entre outros. Seu objetivo era atacar a arte convencional e neste contexto se encaixa Leirner. 



Sem entrar em detalhes, mas analisando a arte como um território imenso de pesquisas, percebi que há varias formas de um artista se expressar. Uns falam de si, e se pensarmos que todos e cada um tem problemas semelhantes, falar de si é falar de todos. Outros tratam problemas mais abrangentes como no caso de Leirner que ataca diretamente as Instituições usando a Instituição para divulgar suas ideias. Fantástico.

Uma exposição atualmente no MAM demonstra claramente esse tipo de "fazer artístico" que se refere Michel De Certeau. No coletivo Superflex, artistas fizeram uma replica fiel do Mc Donalds, onde num vídeo, inundam a pseudo-lanchonete e deixam tudo flutuando, fazendo uma referencia ao  aquecimento global provocado pelo consumo desenfreado, resultado da industrialização.



Como o pai de Leirner é polonês e judeu, fui saber mais sobre a Polônia e o Leste Europeu e achei lá na Tcheco- Eslováquia a famosa passagem da Primavera de Praga, movimento que visava a democratização do socialismo existente no pais, reprimido à força de tanques do Pacto de Varsóvia, que estabelecia uma ajuda mútua em caso de agressões militares. 


Este movimento influenciou o mundo todo, principalmente os paises que não concordavam com as ideias socialistas e estavam sob seu julgo e paises que exigiam uma mudança de mentalidades. A repressão não podia continuar, pois de um lado o stalinismo, regime socialista autoritário de Stalin,de outro a ditadura militar inserida principalmente em paises em desenvolvimento como o Brasil apoiada pelos EUA capitalista. Neste momento a arte grita, já  está gritando na "voz" de Wesley Duke Lee, Hélio Oiticica, Nelson Leirner, na música de Novos Baianos e Tropicália, nas peças de teatro de Plínio Marcos e nos filmes de Glauber Rocha.



Daí eu volto a minha reflexão do início do post; não sei nada de História. Percebam que em volta do tema central há várias vertentes, lacunas que precisam ser preenchidas.

Ainda bem que não sei nada de História, assim, terei muito que fazer nos próximos anos.
  

22 de jul. de 2010

Arquivo Folha de São Paulo - Texto de 1959

Achei uma raridade de edições antigas da Folha Ilustrada, caderno do Jornal Folha de São Paulo. Foi um brinde do Jornal, oferecido aos assinantes, isso aconteceu na década de noventa. Olhando coisas antigas achei este caderno e resolvi colocar algumas publicações interessantes. O arquivo das edições é de 1960 a 1990. Muita história. Esta é divertida. 

Atiraram-se do ônibus ao verem caixão abrir-se

ROMA, junho - Dois jovens atiraram-se da capota de um ônibus em movimento ao verem erguer-se a tampa de um ataúde que o veículo, procedente de Roma transportava  à uma localidade próxima. 
O ônibus estava super lotado e em uma das paradas um operário, não havendo outro lugar, subiu à capota e sentou-se ao lado do caixão. Mas uma chuva repentina obrigou-o a procurar abrigo e ele não teve outro recurso senão entrar no caixão e baixar a tampa. Aí começou a história.
Na parada seguinte subiram dois jovens. Estes, também não havendo outra alternativa por falta de lugar no interior do ônibus, tomaram lugar na capota...perto do caixão.
Minutos depois, passada a chuva, o operário ergueu a tampa do ataúde para sair. Os dois jovens, ignorando o que se passava, aterrorizados, atiraram-se do ônibus, em pleno movimento. 
Ambos foram recolhidos ao Hospital Civil de Labano. (ANSA)

Texto transcrito do Jornal Folha de São Paulo 
Sexta-Feira, 19 de Junho de 1959

19 de jun. de 2010

Nas asas do tempo, a tristeza voa. (Jean de La Fontaine)


Quem, nos dias atuais, não sente tristeza. Quantas vezes sentimos aquela dor aguda, que parece vir de dentro do peito. Um sentimento de derrota, vontade de sumir, chorar, acabar com a própria vida. Pode ser uma promoção que não veio, um candidato à grande amor perdido, uma pressão psicológica muito grande que muda nosso semblante e curva nossas costas. As vezes isto acontece. É normal. Assim como a alegria, a euforia e a vontade de gargalhar, o choro e a tristeza fazem parte da condição humana. A coisa pega quando ressignificada.
Ocorre que a representação social, que é uma construção ideológica do real, melhor amiga do capitalismo, representada por detentores dos meios de produção, também interferem diretamente na saúde pública.
Hoje qualquer tristeza é diagnosticada como depressão "necessitando de uma maior interferência médica e medicamentos específicos.Por mais absurdo que possa parecer a grande maioria dos médicos desconhecem quando há real necessidade de anti-depressivos. Por outro lado o próprio paciente quer ser diagnosticado como depressivo. A vulgarização da doença e a promessa de uma pílula da felicidade, a possibilidade de não mais sentir tristeza, tudo contribuiu para o aumento do número de depressivos no Brasil.
Não há dúvida que a depressão existe e aumenta, mas o diagnóstico é muito maior do que a realidade.
A tristeza pode até durar alguns dias, alguns meses em certos casos, mas vai diminuindo e passa. A depressão é mais profunda, o doente não reage no decorrer do tempo, pelo contrário, piora e somente com a intervenção de medicamentos e acompanhamento médico é que se obtém a melhora. Um é diferente do outro. Correndo por fora há os laboratórios farmacêuticos que proporcionam muitos benefícios aos médicos. Pagam passagens, almoço, brindes, big cestas de fim de ano e o médico, meio que sem querer querendo, começa a fazer o jogo receitando o que eles querem. O suborno é subliminar. Assim se o paciente chega ao consultório se queixando de insônia, o médico que deveria indicar métodos alternativos de relaxamento, acaba por receitar um medicamento. É mais fácil tanto para o médico quanto para o paciente. "Os psiquiatras, completamente aptos a ministrarem tal medicamento são os que menos prescrevem.  Eles buscam a causa original da tristeza, que nos casos de verdadeira depressão geralmente têm raízes na infância. Mas mexer na infância é muito doloroso. Não têm remédio para isso. Precisa de terapia, de análise, mas as pessoas não querem fazer, não querem mexer nas feridas" (Miguel Chalub - Psiquiatra Prof. UFRJ e UERJ).
O desamparo e isolamento crescente e muito rápido é resultado da dinâmica do cotidiano e a falta de tempo para adaptação do novo.  
O que fazer, jogar tudo pro alto e ir morar na Jamaica queimando erva o dia todo? Não. É aprender a lidar com sentimentos ruins também. São inerentes à condição humana. É aprender a enfrentar os problemas ciente de que vai passar.
Nas asas do tempo, a tristeza voa. (Jean de La Fontaine)


  

11 de jun. de 2010

Fabliaux - Literatura como narrativa do cotidiano


Para um historiador qualquer fonte de pesquisa pode trazer à luz fatos, muitas vezes tido como corriqueiro, mas com grande potencial para uma narrativa cotidiana.
Os fabliaux foram redigidos entre os séculos XIII e XIV, período em que nasce a literatura de narrativa curta, tratando-se de estórias cotidianas que traziam, em seu conteúdo a causa e a conseqüência, um exemplo a seguir, uma moral da história para instruir e divertir.
Nas estórias ocorriam situações próximas das reais, e este era o grande atrativo dos fabliaux, assim, durante a leitura é possível identificar aspectos da mentalidade e dos costumes do momento, sendo as estórias provavelmente contadas em ambientes domésticos ou públicos, sugerem que tanto a linguagem quanto as situações eram naturalmente aceitas.
A igreja pregava regras de conduta de como deveria ser a relação dos corpos, masculino e feminino, insinuando que a mulher se difere do homem em seu poder de sedução, assim deveria ser controlada e educada para subserviência masculina, detentora da ordem social.
Porém os fabliaux nos mostram que na intimidade a mulher era muito mais atuante e dissimulada, como na estória em que a donzela engana o pai, fingindo odiar homens e engana o jovem servo se fingindo de donzela, mas seduzindo o mesmo.
Um relato verdadeiro foi transcrito pelo futuro Papa Bento XII de uma camponesa de vinte e dois anos que confessa, provavelmente sob pressão, suas relações extraconjugais, consentidas pelo marido, com um padre primo de sua mãe. Para a camponesa não era pecado porque tanto ela quanto o padre queriam.
Fato é que a grande maioria das mulheres eram castigadas e maltratadas pelos maridos. A recomendação se fazia quanto à cura das chagas abertas.
Um exemplo se dá em um fabliaux com relação à violência sofrida pela mulher: A esposa, por prazer, contra diz as ordens do marido e este ”...com bastão de espinhos castigou-a tanto que quase a matou. Ela ficou deitada por mais de três meses sem poder sentar a mesa. E lá o conde a fez sarar”.


A donzela que não podia ouvir falar de foder


Era uma vez uma donzela muito orgulhosa e rebelde. Se ela ouvisse alguém “falar de foder” ou algo semelhante, ficava com um ar muito ofendido. Ela era a única filha de um bom homem, um rico camponês que não tinha nenhum servo em sua casa porque a moça não suportava ouvir esse tipo de conversa típica de servos. Ela “...nunca poderia suportar / que um servo falasse de foder / de caralho, colhões ou coisa semelhante” (Fabliaux, 1997: 63).
Um belo dia, um jovem velhaco de nome David chegou àquela aldeia e ouviu falar da filha que odiava os homens. Decidiu então conferir a curiosa estória, oferecendo seus préstimos: disse que sabia lavrar, semear, debulhar o trigo e peneirar. O camponês agradeceu, mas respondeu que tinha uma filha que sentia tanta náusea das coisas obscenas que os homens conversam que não poderia aceitar sua oferta. David fingiu ser um homem temente a Deus e clamou pelo Espírito Santo. Ao ouvir suas palavras, a filha do rico camponês pediu ao pai que contratasse o rapaz, pois ele compartilhava suas idéias.
Houve então uma grande festa para comemorar a contratação do “servo beato”. Quando chegou a hora de dormir, o bronco camponês perguntou à filha onde David descansaria: “Senhor, se isso vos agrada / ele pode dormir comigo / ele parece ser de confiança / e ter estado em casas nobres” (Fabliaux, 1997: 67).
O ingênuo pai concordou. A donzela era muito graciosa e bela, e o servo, matreiro, logo colocou sua mão direita nos alvos seios da moça, depois em seu ventre e seu sexo, sempre perguntando à donzela o que era aquilo que tocava: “David desceu a mão / direto à fenda, sob o ventre / onde o pau entra no corpo / e sentiu os pêlos que despontavam / ainda macios e suaves (...)”. E perguntou:
Por boa fé, senhora, disse David (...)
o que é isto no meio do prado
esta fossa suave e plena?
Disse ela: é a minha fonte
que ainda não brotou.
E o que é isto aqui ao lado /
disse David, nesta guarita?
É o tocador de trompa que a guarda
responde a jovem, verdadeiramente
se um bicho entrasse no meu prado
para beber na fonte clara
o vigia tocava logo o corno
para lhe fazer vergonha e medo. (
Fabliaux, 1997: 68)
A seguir, a jovem virgem decidiu ousar e passou a tomar a iniciativa, apalpando igualmente o servo beato. O poema compara o pênis a um potro e os testículos a dois marechais. A donzela pede então que o belo potro do jovem paste em seu prado. David teme que o “tocador de trompa” da moça – provavelmente uma metáfora ao clitóris feminino – faça barulho, isto é, que a jovem grite de dor e prazer. Ela responde: “Se ele disser mal / batê-lo-ão os marechais. / David responde: Muito bem dito.”
E assim a jovem virgem e falsa pudica “foi derrubada quatro vezes”, “...e se o tocador de corno troou / foi batido pelos dois gêmeos / Com esta palavra termina o fabliau.” (Fabliaux, 1997: 70)


3 de jun. de 2010

Desumanização tecnológica

Há algum tempo venho observando o movimento frenético do mundo. São países tratando com outros países de maneira muito cuidadosa para não haver palavras ou mal entendidos que possam prejudicar o livre comércio globalizado, intermediários (como a ONU), cuidando para que todos permaneçam em paz, uma busca alucinada em somar capital ($) e se manter ou obter poder, manipulação das verdades e uma crescente população cada vez mais passível de convencimento, seguindo calada. 

O capitalismo necessita de renovação constante, novos produtos que seduzam o consumidor fazendo com que este se sinta o último dos mortais por ainda não possuir o produto novo. Este mecanismo necessita de muita mão-de-obra e novas tecnologias que tragam maior rapidez e "vantagens" para o consumidor.

Durante muitos anos buscava-se trabalhadores para fábricas, dispostos a ficar horas repetindo o mesmo movimento em máquinas capazes de produzir centenas de produtos iguais em uma única tarde. As máquinas também evoluíram e necessitaram de mão-de-obra especializada para operá-las, mas para isso o domínio da matemática é fundamental. 
Atualmente, nas redes públicas, o professor de matemática é o mais pressionado a apresentar um bom desenvolvimento nas provas do ENEM. Constataram (e descobriram a pólvora) que o método de ensino de matemática não está funcionando. Ora, não funciona a muito tempo, não havia investimento nem interesse econômico para que funcionasse, estava ali, na grade de aulas, nada mais.

Durante a era Vargas, o caráter doutrinário que o momento exigia, fazia com que as aulas de história fossem muito valorizadas, hoje, por determinação da LDB (Leis de Diretrizes e Bases), o aluno poderá escolher, no ensino médio, o curso que quer fazer. Não sou contra, de maneira nenhuma, que haja melhora para o entendimento da matemática ou qualquer outra disciplina de exatas, o que me chamou atenção é o fato de a área de humana estar sendo posta de lado dando lugar a humanos robotizados, técnicos concentrados em seus números e soluções, e cada vez menos social. 

Buscando a globalização as pessoas se individualizam. Estranho isso

Tive essa percepção quando assistia ao economista Carlos Alberto Sardenberg afirmar que um número muito maior de estudantes, comparados ao Brasil, buscavam a área de exatas, portanto, maior significado para o PIB nacional.
Como querer a globalização sem entender outras culturas ? Como abandonar a filosofia, a antropologia, a história , a arte para compreender o outro, respeitar sua forma de pensar, de agir, como conhecer uma Guerra, suas razões e consequências? Governos populistas, fascistas,   ditadores, como ?
Há uma dicotomia entre "todos nós" e "só nós", entre o mundo todo e nossa cultura, pois, ao mesmo tempo que se tem curiosidade e desejo de se relacionar com o outro há um receio da homogenização, daí a xenofobia. 

A violência, as fobias tão presentes atualmente, intolerância são reflexos do homem contemporâneo. O homem não está feliz.

A suspensão progressiva e silenciosa da área de humanas no ensino público pode realmente ser perigosa a longo prazo, mas há uma luz no fim do túnel; 

Do Portal Aprendiz: A Comissão de Educação e Cultura aprovou no último dia 28 o Projeto de Lei 4651/09, do deputado Gilmar Machado (PT-MG), que torna obrigatório o ensino de História em todas as séries do ensino médio. A proposta, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), estabelece ainda que o ensino de História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias que foram o povo brasileiro.

A História esclarece muitas coisas e alerta para muitas outras. Talvez um dos últimos espelhos para o homem se ver como humano.


Manda quem pode. Obedece (ou não) quem tem juízo.

Filme que mostra chacina de mendigos é boicotado pela crítica.
por Fausto Barreira
Baseado em fatos reais, o filme desvenda um fato pouco conhecido: a “Operação mata-mendigos”, que ocorreu no RJ entre 1962 e 1963. O filme, muito atual, mostra o governo, a imprensa e interesses imobiliários por trás dos assassinatos dos moradores de rua. Como se vê, a política de “higienização” das grandes cidades é antiga.
Assisti numa sala pequena, no único horário da tarde, ao filme “Topografia de um Desnudo”. O filme dirigido por Teresa Aguiar baseia-se numa peça de teatro do chileno Jorge Díaz e não teve nenhuma menção de críticos na grande imprensa. Trata-se da adaptação de uma peça de teatro e versa sobre o massacre de moradores de rua no governo de Carlos Lacerda (um dos líderes civis do golpe de 1964) entre os anos de 1962 e 1963.
Teresa Aguiar é diretora de teatro em Campinas. No final da década de 1970, assistiu a uma peça, em um festival universitário da Colômbia. Há vinte anos ela resolveu transformar a ideia da peça em um projeto de cinema e hoje, aos quase setenta anos, apresenta seu primeiro longa metragem: “Topografia de um Desnudo”.
Rio de Janeiro, anos 1960. A cidade se prepara para receber a visita da rainha Elizabeth. Num clima de tensão social e política que antecede o golpe militar, uma jornalista investiga a morte de moradores de rua e se envolve num perigoso jogo de interesses. Baseado em fatos reais, desvenda um lado pouco conhecido da História: a “Operação mata-mendigos” que ocorreu no Rio de Janeiro entre 1962 e 1963 e um dos motivos era a necessidade de “limpar” a cidade para a visita da rainha.
No filme, a diretora expõe o intrincado jogo do governo do estado da Guanabara, de setores da imprensa e de especuladores imobiliários interessados em um grande empreendimento num lixão onde habitavam moradores de rua. Intercalando cenas realistas com imagens oníricas, Teresa Aguiar conseguiu criar um painel convincente das articulações e dos crimes da elite carioca, ao mesmo tempo em que soube dar muita humanidade aos personagens dos moradores de rua.
Com atores importantes como Lima Duarte, Gracindo Júnior e José de Abreu o filme foi massacrado. Segundo um dos poucos espectadores presentes na plateia, o qual participou das filmagens há alguns anos, o filme, nessa época, já estava sendo feito há dez anos e não conseguia nenhum patrocínio, apesar de ter sido aprovado pela Lei Rouanet. Vê-se por aí como funciona a censura do capital.
O filme é atualíssimo, pois mostra a gênese dos programas de “higienização” das grandes cidades brasileiras, que têm como expoentes Gilberto Kassab em São Paulo e Eduardo Paes no Rio de Janeiro, nos quais as populações pobres são expulsas de locais que interessam aos planos de “revitalização”, ou seja, à especulação imobiliária.
Sabe-se também que por trás do mensalão do DEM do Distrito Federal está o vice-governador, Paulo Otávio, dono do jornal Correio Brasiliense e da maior construtora de Brasília.
Pode-se assistir ao trailler do filme no YouTube.

9 de mai. de 2010

Mãe é tudo de bom.

Um belo dia descobri que estava grávida. Acho que o meu principal sentimento foi o medo (muito medo) de não dar conta de criar um filho, medo de não ser mais amada, medo de como vai ficar o corpo depois desta grande aventura e a certeza de que o vínculo é eterno. Durante as primeiras horas fiquei muito confusa,   não sabia o que faria nem que futuro esperar, mas no final do dia a ideia de um filho já estava inserida em mim e as "passadas de mão" na barriga (características de toda grávida), mesmo sem aparecer barriguinha já faziam parte dos meus gestos diários.
O caminho é longo (9 meses), o peso do corpo aumenta, a gente fica naturalmente mais lenta, anda devagar, jogando o corpo de um lado para o outro durante a caminhada e no finalzinho da gravidez a gente quase não anda mais, o corpo não aguenta o peso, engordamos uma média de 12 a 16 quilos (foi o que engordei nas duas gestações).
Todos cuidam um pouquinho de nós, todos tentam fazer com que nos sintamos bem, pois os incômodos são muitos, falta de ar, bexiga cheia, uma vontade de fazer xixi o tempo todo e com o corpão pesado chegar no banheiro rápido se torna uma verdadeira saga. Até que chega o grande momento. Maternidade.
Tudo já estava pronto, malas, carro, roupa reservada pra sair correndo se precisar, fraldas, roupinhas de bebê, chinelos, ufa...tudo tem que estar pronto para o grande momento.
A enfermeira me preparou depilando onde precisava (lá mesmo), colocando soro, me vestindo com aquele avental azul (confesso que nesta parte eu fiquei muito tensa, fiquei com medo) e me levou para a sala de cirurgia (o medo aumentava). Tomei a raque, aquela "injeçãozinha" dada na medula espinhal pra gente não sentir dores na hora do nascer (no meu caso fiz duas cesarianas sendo que na segunda, a diaba da raque não "pegava" e o anestesista tentava de novo. Foram umas cinco picadas até "pegar". E dói hem). Deitei na mesa de cirurgia e fiquei observando os movimentos dos médicos, eles vão pra lá, vão pra cá, conversam, dão risadas, contam piadas, comentam do churrasco que fizeram e eu lá, tensa, muito tensa observando as reações e fisionomias dos médicos pra saber se estava tudo bem comigo e com o bebezinho que estava a caminho. O grande momento chega. Mesmo anestesiadas e sem nenhuma sensibilidade na parte inferior do corpo percebia tudo que estava sendo feito,. Sentia a médica puxando e ajeitando o neném pra tirá-lo da minha barriga. Neste momento eu estava meio grogue, ria bastante (imagina eu rindo e a médica tentando me operar) mas ria de nervoso, até que a médica me disse: - Seu bebê tem bastante cabelo, estou vendo. Depois de puxar mais um pouquinho ela saiu, linda, de olhinhos abertos, magrinha e muito cabeluda. Naquele momento eu olhei pra ela e ela olhou pra mim. Que lembrança linda tenho desta hora. Ela tinha uma fitinha rosa no cabelo que as enfermeiras colocaram. Foi amor a primeira vista. Me apaixonei de forma definitiva sentindo a posse de filho que todas as mães tem; é MEU. Minha Maria Julia, cabelos claros cacheados, olhos verdes, linda.
Seis anos depois ganhei meu outro filho e neste período fazia graduação. Frequentei a faculdade até uma semana antes do Gustavo nascer. Não foi fácil. Ia com o ônibus dos estudantes do município. Confesso que eu ria de casa até a facul. Os estudantes eram muito divertidos e cuidavam demais de mim. Como estava muito gorda, saia da sala faltando uns quinze minutos pra acabar a aula, senão não dava tempo de chegar até o ponto, se bem que sempre me esperavam. O motorista (Polaco) tinha muita paciência de me esperar chegar.
Ganhei o Gu no dia 29 de novembro de 2007. Ele parece um indiozinho, moreno como eu, olhos castanhos rasgadinho e cabelinho liso bem escuro (na maternidade quando ele nasceu era bem branquinho de cabelos espetados pra cima e olhos rasgados, pensavam que o pai era oriental...rsrrs). Nasceu de olhos fechados e gosta muito de dormir até os dias atuais.
Penso que na vida temos que experimentar todas as sensações que nos são destinadas, se não for assim a gente não teve experiências, sai repetindo o que ouviu dos outros, se baseia na experiência alheia.
A vida é cíclica e o ciclo se acaba. Se podemos falar em continuar vivendo como os espíritas pregam, uma pessoa que não acredite em reencarnação pode continuar vivendo em seus filhos que trazem a carga genética e características de seus pais. Não sei se acredito em reencarnação (depois que eu morrer poderei concluir), mas tenho certeza que continuarei viva por meio de meus filhotes.

Desejo a todas as mães um dia maravilhoso cheio de realizações e muitas demonstrações de amor de seus filhos. Para as futuras mães eu digo não tenha medo. A maternidade é linda e apesar da dedicação eterna que daremos a eles, tenham a certeza de que VALE A PENA.

FELIZ DIA DAS MÃES 


MEUS FILHOS

25 de abr. de 2010

Um pouco mais de mitologia - O Minotauro



Desde que tive aquela aula maravilhosa com o professor mestre Eduardo Brefore, a mitologia grega tem sido um adorável passatempo. Tenho a impressão de parecer uma criança escutando historinhas como Chapéuzinho Vermelho ou O Mágico de OZ. Acho que é quase isso.
Pensando assim, de tempos em tempos, postarei uma dessas sagas gregas que, particularmente, eu adoro descobrir. Se você também gosta, divirta-se.

Segundo a Mitologia Grega, Minos era o poderoso rei de Creta. Recebeu seus poderes de Posseidon, deus dos terremotos e das profundezas do Oceano, que concordou em torná-lo soberano das marés se o rei se propusesse oferecer-lhe em sacrifício um belíssimo touro branco.
Como Minos não desejasse desfazer-se do majestoso animal, escondeu-o em seu rebanho substituindo-o por outro touro inferior. Ultrajado com a arrogância do rei e o desrespeito pelo pacto firmado anteriormente entre eles, Posseidon solicitou a ajuda de Afrodite, deusa do amor, que fez com que Pasífae, esposa do rei, fosse consumida por uma enorme paixão pelo touro branco. Para concretizar seu desejo, a rainha manda que o artesão do palácio fabricasse uma vaca de madeira Em seguida, adentrou o animal de madeira; o touro então penetrou Pesíifae e dessa união entre a rainha e o animal nasceu o Minotauro, a vergonha de Minos. A criatura, corpo de homem, cabeça de boi- se alimentava apenas de carne humana. 
Horrorizado e cheio de vergonha, Minos ordena que fosse construído um imenso palácio de pedras, o Labirinto tão cheio de corredores que se entrecruzavam e de aposentos dispostos de tal maneira que quem nele entrasse não conseguiria sair.

Entretanto o reino não poderia permanecer para sempre naquela estagnação, ocultando em seu seio segredo tão vergonhoso. Com a intercessão de Ariadne, filha de Minos, Teseu, o herói filho de Poseidon, veio em seu auxilio para matar o Minotauro.O herói foi ao labirinto, prendeu a ponta de um novelo de lã na entrada e saiu em busca da besta. Depois de matá-la, voltou seguindo o rastro da lã desenrolada  Naquele mesmo instante, o deus dos mares insurgiu das profundezas  do oceano enfurecido e destruiu o labirinto com um terremoto, deixando sob os escombros os corpos do rei  Minos e do Minotauro, Todos os escravos foram postos em liberdade. Teseu foi proclamado rei de Creta e inaugurou-se uma uma nova era de paz e prosperidade. e o Labirinto jamais foi reconstruído. 

17 de abr. de 2010

Injeção cultural

A viagem foi um luxo. Primeiríssimo lugar visitado foi o MASP onde seria a exposição de Marc Chagall, mas infelizmente tinha acabado no fim de semana anterior, porém, vi obras que não esperava encontrar como Pablo Picasso, Eugéne Delacroix, Paul Gauguin, Anita Mafaltti, Van Gogh e Renoir.
A exposição trouxe os primeiros retratos, inicialmente o auto-retrato, direcionado para a elite, esses com muitas pompas e detalhes evidentes de uma posição social mais elevada, por meio de objetos como cadeiras e vestimentas que somente pessoas da elite poderiam usar.
Confesso que estar diante de um Pablo Picasso é fascinante. Impressiona os detalhes de cores,  movimentos  e a riqueza de detalhes e expressões captadas pelo olhar do artista, exercem um certo hipnotismo quando olhamos.
Esse tipo de arte foi bastante criticado quando criado pelo fato de um retrato não trazer a visão do artista, mas sim uma cópia do real, deixando a subjetividade de lado. Mesmo assim, como boa leiga, ainda, no assunto, creio que a arte, mesmo em forma de retrato, está lá, basta olhar.
Havia também uma belíssima escultura de Giuseppe Mazzuoli  em "Diana adormecida", uma obra de 1700.
É tanta perfeição que é possível ver a queda dos cabelos de Diana e os detalhes, talhados, com perfeição, das dobras da roupa. Maravilhoso.

Fui também visitar o Planetário, no Parque do Ibirapuera, quem me conhece sabe que gosto de estrelas, então, foi uma viagem ao espaço. As luzes se apagam dando lugar a um céu imensamente estrelado. Sabiam que há mais de 3 bilhões de galáxias, existentes, já confirmadas, mas o universo é infinito, então...pode haver mais.
Há duas galáxias que podem ser vistas a olho nú e vimos todos os dias, mas não paramos pra dar a devida atenção. São aquelas duas imagens no céu (olhe de preferência bem de madrugada) onde parece um vapor entre as estrelas...dê uma boa olhada hoje para o céu.


Depois fui a Pinacoteca, lugar imenso em frente a Estação da Luz, no bairro da Luz, com estruturas trazidas da Inglaterra que copiam o famoso relógio Big Ben, aberta ao público em 1910, todas as grandes personalidades pisaram por lá, já que a ferrovia era o meio de transporte usado no período, e também trazia imigrantes de todas as partes do mundo.

Vi Andy Wahrol  e sua pop-art . Muitas obras voltadas a tecnologia do momento, várias pessoas e símbolos retratados de forma massiva alterando apenas as cores. Maravilhoso.
Essas obras eram uma forma de protesto ao consumo desenfreado do século XX.
Gostaria de ter visto muitas outras coisas, mais o tempo foi curto. Outras oportunidades virão.

2 de abr. de 2010

Hélio Oiticica - Antiarte por exelência

Pintor, escultor, artista plástico e performático, de aspirações anarquistas, Hélio Oitiica é considerado, por muitos, o artista mais revolucionário de seu tempo. Sua obra mais polêmica é o "Parangolé" , uma espécie de capa , tenda ou bandeira, que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, textura e grafismo e o material que foi executado (tecido, borracha, tinta, papel), à partir dos movimentos de algúem que o vista. Por isso foi considerada escultura móvel (antiarte por exelência). Foi expulso de uma mostra no MAM do Rio por levar integrantes da Mangueira  vestidos de Parangolés. A experiência no morro fazia parte da dimensão que sua obra queria atingir.
Foi a obra "Penetrável Tropicália" que influênciou o grupo musical de Caetano Veloso Gilberto Gil Gal Costa e Betânia a adotarem o nome "Tropicália" na década de 60.
Dizia que suas obras eram " A primeiríssima tentativa consciênte de impor uma imagem brasileira ao contexto da vanguarda".
Tem como p´re-requisito a incursão do visitante, ou seja, os ambientes coloridos só funcionam com a presença do espectador.

28 de mar. de 2010

Andy Wahrol - Pinacotéca



A Pop Art, surge na Inglaterra, através de um grupo de artistas intitulados "Independent Group", lançando em primeira mão as bases da nova forma de expressão artística, que se beneficia das mudanças tecnológicas e da ampla gama de possibilidades colocada pela visualidade moderna, que está no mundo - ruas e casas - e não apenas em museus e galerias.

É possível observar nas obras Pop britânicas um certo deslumbramento pelo american way of life através da mitificação da cultura estadunidense. É preciso levar em consideração que a Inglaterra passava por um período pós-guerra, se reerguendo e vislumbrando a prosperidade econômica norte-americana. Desta forma, todas as obras dos artistas pop britânicos aceitaram a cultura industrial e assimilaram aspectos dela em sua arte de forma eclética e universal.

Até 1963, quando duas exposições reúnem obras que se beneficiam do material publicitário e da mídia. É nesse momento que os nomes de Andy Warhol, Claes Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselmann surgem como os principais representantes da arte pop em solo norte-americano. Sem estilo comum, programas ou manifestos, os trabalhos desses artistas se afinam pelas temáticas abordadas, pelo desenho simplificado e pelas cores saturadas. A nova atenção concedida aos objetos comuns e à vida cotidiana encontra seus precursores na anti arte dos dadaístas.

É o estilo neutro e documental de Warhol que reproduz a impessoalidade e o isolamento que caracterizam essa fama. O desinteresse fotográfico num sorriso forçado, estereotipado, as cores vibrantes que a tornam numa caricatura, uma artificialidade assumida. Warhol secularizou o ídolo de Marilyn Monroe ao repetir constantemente seus retratos ou ao isolar o sorriso, ligando o mito da estrela aos métodos usados pelo mass media para fazer uma estrela, com variações e sequências sucessivas, tal como num produto industrial.

Hipocondríaco, desde criança, devido a uma doença, Wahrol preferia a companhia da mãe a de seus colegas. A guinada em sua vida ocorre em 1960 quando passa a se utilizar dos motivos e conceitos da publicidade em suas obras com cores fortes e tinta acrílica.
Morreu em 1987, após uma cirurgia.

"No futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos". (Andy Wahrol)


Marc Chagall -O expoente da gravura - no MASP

Chagall, Au-Dessus De La Ville

Marc Chagall: nascido em 1887, na Rússia, de início aprendeu técnicas de pintura retratista num atelier, Vai à Paris e se encanta com a diversidade de cores dos pintores modernistas parisienses, vivem o período conhecido como Bella Époque, antes da Primeira Grande Guerra, onde se acreditava que a pujança e o consumo capitalista crescente, oriundo da II Revolução Industrial, nunca teria fim. Fica em contato com esses artistas, mas, foi de Guillaume Appolinaire que se tornou grande amigo.

Neste período pinta um de seus quadros mais famosos "Eu e a aldeia" e "O soldado Bebé".

Quando acontece a primeira guerra mundial, Marc tem de regressar a Rússia, pois, é mobilizado para as fronteiras. Casa-se em São Petersburgo.

Após a Revolução Socialista foi nomeado Comissário para as Belas Artes, inaugurando uma escola de artes aberta a qualquer tendência modernista (não podemos esquecer que a ideologia socialista baseava-se no construtivismo, onde o artista é o operário), sendo assim, entra em conflito com Kasimir Malevich ( propunha um novo movimento intitulado Suprematismo - figuras geométricas - que seria a ruptura consciente dos artistas russos com a Europa e a afirmação de uma escola russa independente) e demite-se do cargo.

Volta à Paris e obtém sucesso pintando a capa de uma Bíblia e As Fábulas de La Fontaine tendo feito 100 gravuras, assim, são conhecidos suas primeiras paisagens.

Visitou a Síiria e a Palestina em 1931 ficando bastante impressionado com a cultura de lá.

Desde 1935, com a volta da guerra, Chagall pinta as tensões e repressões sociais e religiosas, que também sentia na pele, por ser judeu convicto. Anos mais tarde parte para os EUA fugindo das perseguições de Hitler.

No final da guerra sua esposa falece, fato que lhe causa grande depressão, mergulhando novamente no mundo das evocações, dos chamamentos, das sombras. Concluiu neste período um quadro que havia iniciado em 1931, chamado "Em torno dela" .

Durante a primeira guerra(1914- 1918), artistas e intelectuais de diversas nacionalidades, contrários ao envolvimento de seus países no conflito, exilaram-se em Zurique , Suíça , e fundaram um movimento literário que deveria expressar suas decepções com o fracasso da ciência, religião e filosofia existentes até então, pois, revelaram-se incapazes de evitar a grande destruição que assolava toda a Europa.

Esse movimento foi chamado "DADÁ" que pretendia demonstrar que a arte perdia o sentido, já que a guerra instaurou o irracionalismo no Continente europeu. É preciso considerar também que os estudos de Freud chamavam atenção para um aspecto novo da realidade humana. Revelavam esses estudos que muitos atos praticados pelos homens são automáticos e independentes de um encadeamento de razões lógicas.

Desta forma os dadaístas propunham que a criação artística se libertasse das amarras do pensamento racionalista e sugeriram que a arte fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionando e combinando elementos ao acaso.

Na pintura essa atitude foi traduzida por obras que usaram o recurso da colagem. Só que agora a intenção não é prática e sim sátira e crítica aos valores tradicionais , tão valorizados, mas, responsáveis pelo caos que se encontrava a Europa.

O automatismo psicológico do dadaísmo propiciou o aparecimento do surrealismo, surgem obras que nada devem a razão , à moral ou as próprias preocupações estéticas. Portanto, a obra de arte são manifestações do subconsciente, absurdas, ilógicas, como as imagens dos sonhos e das alucinações, que produzem as criações artísticas mais interessantes. As vezes as obras surrealistas representam alguns aspectos da realidade ou excesso de realismo, entretanto, eles aparecem sempre associados a elementos inexistentes na natureza, criando conjuntos irreais.

A pintura surrealista desenvolveu duas tendências: Figurativa (Salvador Dali - Marc Chagall) e a Abstrata (Joan Miró - Max Ernest)


27 de mar. de 2010

Férias Merecidas

Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, conseguimos tirar uns dias de férias, vamos viajar, mas, antes pedi umas dicas para a professora e artista plástica Márcia Porto sobre exposições que estavam ocorrendo na cidade da "gente laboriosa" (ler Saudosa Maloca de Adoniran Barbosa neste mesmo blog).
Além de poder visitar museus e exposições, a viagem proporcionaria relaxamento e reencontro com pessoas muito amadas, familiares e amigos de longa data.
Falei da viagem por que vou escrever, em posts uma breve introdução sobre os artistas a serem visitados.
Márcia me recomendou Marc Chagall, exposto no MASP, Andy Wahrol na Pinacoteca e Hélio Oiticica no Itaú Cultural.
Os posts a seguir colocarão os artistas em seu tempo histórico, que ajudará a compreender os motivos de suas obras e sob o qual período histórico estavam influenciados.
Vou novamente dividir em posts, e cada um falará de um artista. Quando eu voltar da viagem escreverei sobre as impressões que tive com relação as obras.


17 de mar. de 2010

Dionísio ou Baco

Zeus, mais uma vez, apaixonou-se por uma mortal. Dessa feita, a vítima foi a princesa tebana Sêmela, que tornou-se mãe do segundo Dionísio. É que de Zeus e Perséfone nasceu Zagreu, o primeiro Dionísio. Preferido do pai e dos homens , estava destinado a sucedê-lo no governo do mundo, mas o destino decidiu o contrário.
Para proteger o filho do ciúmes de Hera, sua esposa, Zeus o confiou aos cuidados de Apollo e dos Curetes que o criaram na floresta do monte Parnaso.
Hera, mesmo assim, descobriu o paradeiro do jovem deus e encarregou os Titãs de raptá-lo.
Apesar das várias metamorfoses tentadas por Dionísio, os Titãs surpreenderam-no em forma de touro e o devoraram.
Palas Atená, (Deusa da inteligência e das artes), conseguiu salvar-lhe o coração, que ainda palpitava. Foi esse coração que Sêmele engoliu, tornando-se grávida do segundo Dionísio.

O segundo Dionísio, no entanto, não teve um nascimento normal. Hera, ao saber dos amores de Zeus e Sêmele, resolveu eliminá-la.

Transformando-se em ama da princesa tebana aconselhou-a a pedir ao amante que se apresentasse em todo seu esplendor. O deus advertiu a Sêmele que semelhante pedido lhe seria funesto, mas como havia jurado pelo rio Estige jamais contrariar-lhe os desejos, apresentou-se-lhe com seus raios e trovões. O palácio da princesa incendiou-se e esta morreu carbonizada.
Zeus recolheu do ventre da amante o fruto inacabado de seus amores e colocou-o em sua coxa, até que se completasse a gestação normal. Nascido o filho, Zeus confiou-o aos cuidados das ninfas e dos sátiros do monte Nisa. Lá em sombria gruta, cercada de frondosa vegetação, e em cuja paredes se entrelaçavam viçosas vides , donde pendiam maduros cachos de uva, vivia feliz o filho de Sêmele.
Certa vez, Dionísio colheu alguns desses cachos, espremeu-lhes as frutinhas em taças de ouro e bebeu o suco em companhia de sua corte. Todos ficaram então conhecendo o novo néctar: o vinho acabava de nascer.
Bebendo-o repetidas vezes, Sátiros , Ninfas e Dionísio começaram a dançar vertiginosamente ao som dos címbalos. Embriagados do delírio báquico, todos caíram por terras desfalecidos.

Segue na próxima postagem.

14 de mar. de 2010

Mitologia Grega

Sábado, dia 13 de Março, tive uma aula simplesmente maravilhosa, sobre Mitologia Grega, com o Mestre Carlos Eduardo Brefore Pinheiro, e como sei que algumas pessoas desconhecem a mitologia grega, gostaria de compartilhar um pouco do que aprendi. Devo dizer que este post, tem a participação, mais do que indispensável, da minha queridíssima amiga Nayara Jorge, historiadora e web design (mega competente nas duas funções).
Por ser uma postagem meio grande(quase todas as minhas postagens são assim), vou dividí-la em partes, mas digo que vale a pena ler todas.

Acreditava-se que, no princípio, havia o caos, seria o nada e a mistura de tudo. O imaterial dá luz aos seres.
Do caos surgiu o Tártaro (inferno), que ao contrário da explicação atual, não era um lugar ruim, para lá iriam todas as almas. Depois veio a Noite (antes de surgir a luz vem a escuridão), depois das trevas veio o Dia, o Éter (ar) e por fim a Terra, de princípio feminino, que na explicação mitológica é andrógena, ou seja, não necessita de macho para fecundação e dela surge o Céu (Urano). A composição abstrata do mundo está formada. Temos Terra, Ar, Noite, Dia, Céu e Inferno (situado no interior da Terra).
A Terra casa-se com seu filho Urano para gerar a vida, tecida pelas três senhoras (início, meio e fim). Os filhos da Terra são os 12 Titãs:
Réia (esposa de Cronos), Pontus (Oceano), Têmis (justiça), Mnemósine (memória), Febe (Lua), Tétis , Cronos (Saturno), Krios (deus das profundezas marítimas- nunca ninguém viu), Hipério (aurora), Jápeto (pai de Prometeu, que roubou o fogo sagrado), Atlas (que carrega o mundo nas costas) e Téia. Eis o quadro dos primeiros deuses e fase anterior ao aparecimento dos homens.

O Céu percebe a rivalidade entre seus filhos e pede a Terra que mate os filhos que vierem. Cronos sabendo das intenções do pai, corta-lhe os testículos que cai no mar. Da espuma do sêmen do Céu nasce Afrodite (a Deusa do amor). Assim Cronos passa a reinar, casa-se com sua irmã Réia e tem 6 filhos: Zeus, Posidon, Hades, Hera Deméter e Héstia.

Cronos, assim como aconteceu com seu pai Céu, teme perder o poder e devora seus filhos, mas Zeus escapa e mata seu pai (sempre na disputa de poder - muito semelhante ao ser humano), e resgata do estômago de seu pai os seus irmãos.
Os machos dividem as posses (perceba que neste espaço, a mulher -Terra- perde seu poder para o sexo masculino) :

O Céu fica com Zeus, definido como símbolo da onipotência, têm domínio real, longevidade e poder - simboliza o homem, cria o Olimpo como morada dos deuses para se tornar chefe absoluto. Conquistador, é hábil em fazer alianças, galanteador , é esposo de Hera, mas tem inúmeras amantes.

Os mares com Posídon, deus das tempestades e terremotos, tem total domínio das emoções e do instinto. Inimigo implacável. Casado com Anfrítite teve algumas amantes e vários filhos, todos violentos como o pai.

Hades (Plutão) é deus do mundo subterrâneo, domina as almas e o inconsciente, fantasias e sombras. Casado com Perséfone.

Este é o princípio da Mitologia Grega e dos casamentos citados, filhos serão gerados (com as esposas ou não) surgindo figuras com princípios que norteiam a sociedade.